26 de mar. de 2016

Repaginando



Olá pessoal,


Então, durante muito tempo fiquei sem publicar regularmente no blog. Na verdade desde que decidi começar a estudar (de verdade) para tentar medicina. Hoje, volto a escrever pelo mesmo motivo que parei, a preparação para o vestibular. Passei em Medicina em três Universidades no início desse ano e decidi transformar o blog, que antes, era muito mais como um diário de ideias em uma página em que pessoas que passaram pela exaustiva rotina de estudos que passei possam fazer isso conhecendo o caminho que trilharão. Quando inicie meus estudos não tinha a mínima noção de organização, de rotina de estudos, de cronograma, enfim, de nada. Errei muitas vezes e tive que aprender e corrigir meus erros sozinha, nisso empreguei um tempo e esforço que poderiam ter sido utilizados de uma melhor forma. Foi então, que no último ano de cursinho as "janelas do conhecimento" se abriram diante de mim e descobri além, da autonomia de estudo, algo que chamo de apropriação do conhecimento. A maturescência trouxe-me a tranquilidade e o autoconhecimento necessários para a aprovação.
Bom, ao longo dos posts, que pretendo manter a periodicidade de todo domingo, irei trazendo um pouco mais sobre minha história, rotina, o que fiz e também disponibilizar materiais e dicas ao pessoal que segue na jornada pela conquista da aprovação em Medicina.


P.S: Lembrando que todas as informações e opiniões postadas aqui são baseadas na vivência pessoal desta autora e críticas são sempre bem vindas. É discutindo que se passa e absorve-se conhecimento.
Até breve!


2 de nov. de 2013

Paciência




A maturescência traz com ela perspectivas diferentes. Dá visões novas aos mesmo fatos. Como controlar a ânsia do novo de uma criança? Aguardar cinco minutos é perder preciosos momentos de brincadeiras. Não que a ânsia tenha passado, mas o passar dos anos nos mostra que pela ansiosidade infantil, falhamos. Nunca soube se um dia encontraria de fato a tal paciência. Se a vida é tão breve, por que perder tempo com a paciência? Desperdiçar minutos, que poderiam ser aproveitados apenas para o deleite dos prazeres. Mas há prazeres maiores. E esses parecem andar no contra, na ré do tempo.
Você um dia sera testado por ela, passar no teste é alcançar o pote de ouro ao fim do arco-íris. Sonho, tempo e paciência paressem fazer parte de uma anarquia incontrolável, o tempo é claro com seu tic-tar corre, enquanto a paciência arrasta-se em passos morosos e o sonho caminha lentamente na direção da paciência contra o tempo. O pote de ouro parece inalcançável em momentos de falta de paciência.
Então você filtra os sonhos, chama a paciência para perto de você e negocia, se em todo momento ela não pode estar presente, que o tempo corra enquanto você se arrasta ao lado dela. Depois é a vez do tempo, que ele ande a seu bel prazer enquanto você o acompanha, desfrutando dos segundo preciosos. Assim o sonho andara de mãos dadas e o fim do arco-íris estará cada vez mais próximo.



3 de out. de 2013

Os gigantes jovens continuam dormindo.

Dorme. Fecha os olhos perante a pequena revolução que não se faz. Isso deve dar-se por que aqueles que estavam nas ruas no mês de junho não sentem-se motivados pelas causas desses que agora gritam no Rio de Janeiro. Porém vejam que falta de companheirismo, haviam muitos professores nas ruas em junho, haviam muitos alunos, havia muita gente. Gente que nem sempre sabia pelo que estava lutando. Mas uma coisa posso assegurar-lhes, os professores que lá estavam sabiam pelo que estavam lutando. Eles sabem por que nas ruas estão agora. Mas sinto falta de alguém nas ruas, vocês não? Cade os estudantes? Os alunos desses professores que foram em junho as ruas, que encorporaram seu movimento. Os docentes lá estão. Já os discentes, displicentes, nem sombra. Entendo que são alunos da escola básica, muito jovens ainda para ir as ruas. Mas cade seus pais? Ou ainda não os vimos por que agora as manifestações pedem benefícios aos professores da rede pública, que lecionam aos filhos das massas. E a burguesia cala-se.
Na verdade comecei esse texto pensando em como é possível ver a mesma cena após 20 anos. Em 30 de agosto de 1988 no estado do Paraná, na frente do palácio Iguaçu em Curitiba professores foram coibidos e agredidos pela Policia Militar e sua cavalaria. O que os professores pediam? Basicamente o mesmo de agora, reajustes salariais, regulamentação e melhorias nas condições de trabalho. O governador de São Paulo tomou a mesmíssima atitude arbitraria de outro político à 20 anos atrás. É por atitudes como essa, que a educação pública declina. Fui aluna da rede pública durante minha vida escolar e durante o período que morei no Paraná, vi meus professores paralisarem suas atividades no dia 20 de cada ano, em prol daqueles que foram agredidos em 88. Durante anos pensei o por que alguns aderiam a paralisação e outros não, por que ficávamos sem aula, se aquilo mudaria alguma coisa ou era mais um motivo para os professores ficarem em casa e nós também. Descobri, hoje, que tudo vai muito além. Parto do principio de que alunos ruins fazem professores ruins, e o sistema é quem cria esses alunos. Sim! É esse sistema burocrático e antigo que não visa a real educação das crianças e que faz os professores serem marginalizados. É uma bola de neve que cresce a cada criança que responde um professor e a cada professor que da uma desculpa esfarrapada para ficar em casa, por que perdeu o tesão de lecionar! Ensinar o que? Pra quem? Se a grande maioria, parece não interessar-se por nada.
É que marchamos errado. Não ouvimos educadores como Paulo Freire, quando devíamos. Mas nunca é tarde para mudanças e elas começam com manifestações e conscientização. Quando discente, docentes e a sociedade envolvida, sim por que será que aqueles PMs do Rio não tem seus filhos em escolas públicas? Pararem de confrontar-se e unirem forças quem sabe mudaremos o rumo de nossa educação pública. Quando fizermos da escola pública um local onde todos tenham vontade de ir todos os dias, quando ela for vista como aliada do aluno, quando esse aluno for incentivado em seus interesses e elogiados por seus professores, quando esses professores virem que seus alunos querem absorver todo o conhecimento que possuem, por que conheço e sei que a maioria deles precisam apenas de alunos que tenham fome de aprendizado e um salário digno para dar aulas decentes. Alunos seus professores ainda não vos abandonaram. Não abandonem a eles!

14 de jun. de 2013

Luz, câmera, repressão!




Tenho consciência que muita gente, muitos reportes e críticos estão em frente aos seus computadores escrevendo excelentes matérias sobre as manifestações no meu país. Porém perante a situação que presencio, preciso expor minha sincera admiração pela minha geração. Nunca fui descrente nas pessoas, porém via nos tempos de escola jovens apáticos, contentados com a onda de tecnologia do século XX, deslumbrados com o consumismo. Mas vi que estive enganada com uma grande parcela de jovens da minha idade. E essas manifestações fazem nascer á esperança de outros que já se haviam perdido, esperança de um futuro melhor, um país melhor e igual.Parece-me que esse país foi atingido pela onda da Primavera Árabe, que usando as redes sociais e os artifícios dados a nós jovens conseguimos de fato agir. Mas esse agir precisa ser fundamentado em uma ideologia, e não importa qual, mas que todos os jovens tenham uma para seguir, como já dizia Cazuza. Por que é através de ideais e consciência política que geramos a mudança. É pelo dialogo e discussão dessas tantas ideologias que se constrói um país novo e melhor.

Existem inúmeros conceitos que explicam uma ou outra forma de governo, que estão diretamente ligados à economia. Tracemos um paralelo entre alguns. A nossa forma de governo democrático, do dicionário: situação político - administrativa em que o povo governa através de seus representantes periodicamente eleitos. (Do grego demokratía, «governo popular», pelo latim democratĭa-, «idem»). Seria então o governo gerido pelos interesses do povo, a favor do povo e manifestações não seriam necessárias, pois o povo em questão viveria bem. Porém é preciso lembrar que nossa democracia tem muito mais a cara de uma aristocracia que favorece o sistema capitalista, que gera desigualdade social. Vivemos então sentados em cima de uma Constituição feita em 1.988, logo após o fim da Ditadura Militar. Feita por homens de uma mesma época, onde a liberdade por mais mínima que fosse era vista como valiosa conquista. Não que este conceito esteja errado, o fato é que nos acomodamos com a mínima liberdade. É preciso lembrar ainda que por mais duro, rígido e brutal que foi o período da Ditadura Militar no Brasil, ele trouxe desenvolvimento e estabilidade para o país, o que não o faz ser uma boa forma de governo, já que estabilidade o Socialismo também trás e desenvolvimento econômico o Capitalismo é precursor. Millôr Fernandes diz que: “Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim”. Vivemos então uma ditadura travestida de democracia? Parece que sim.

Infelizmente as manifestações no país todo, tem nos mostrado o que no fundo já sabíamos. Que temos uma polícia despreparada, que prende reportes por portarem vinagre, que nossa mídia mesmo não sendo estatal serve apenas aos interesses do governo e que quem nós elegemos não são representantes do povo. São aristocratas, latifundiários que governam sempre a favor próprio. Seriamo-nos então os culpados? De certa forma sim. Falta-nos consciência política para escolher os poucos e míseros homens íntegros para nos representar. Pois falta quem nos ensine isso, já que não há instrução nenhuma nas escolas, para as crianças, do que é política. Os Faraós egípcios, de antes de cristo, já sabiam que conhecimento é poder. E como formar jovens capazes de pensar e agir? Muito arriscado para os interesses dos nossos excelentíssimos senhores políticos. Mas esquecem-se eles que o ser humano é capaz de pensar por si e chegar a conclusões decisivas, se lhe derem fatos, motivos, e motivos é o que não nos falta para pensar.

Assim, foi que culminamos nessas manifestações pelo país, motivados por uma Copa do Mundo e investimentos em estádios, quando nossa educação é decadente. Impulsionados pelo exemplo das diversas manifestações, pelo mundo, em busca de verdadeira democracia. E guiados pelo sentimento de indignação perante um governo populista, de esquerda, que perdeu seus valores ideológicos. Não é culpa desde ou daquele partido, nenhum ou quase nenhum deles tem uma ideologia séria a seguir, perdoem-me o linguajar, mais os partidos do nosso país são como bordéis e nossos políticos são prostitutas, todos motivados por interesses econômicos e nenhum ideológico. E por isso os jovens estão fora da política, por que só agora e muito aos poucos é que encontram uma ideologia a seguir, e descobriram que não precisam fazer parte de partido nenhum para isso, basta usar sua voz.

“Quem, de três milênios, não é capaz de se dar conta, vive na ignorância, na sombra, à mercê dos dias, do tempo.”(Johann Goethe)

14 de fev. de 2013

Descontextualizada




Só me falta a capacidade de compreender. Não é maldizer a cidade ou seu povo, é apenas uma observância feita. Não é generalizar é constatar o aumento.
Não me cabe a ideia de algumas mulheres. O desinteresse por novos assuntos, a acomodação do ser, o preocupar-se muito com a beleza externa; como se o que elas aparentassem ser mudasse o que elas realmente são. Não sei se entristece ou revolta-me mais o fato de deixarem de estudar para trabalhar e comprar. Que verdade seja dita, até hoje não conheci tão grande concentração de mulheres que entendessem tanto de maquiagens, unhas, cabelos, sapatos e marcas de roupas como as catarinenses, e que sim, esbanjam uma beleza europeia dificilmente encontrada em outros estados. Mas são bonecas, inanimadas de algo mais. Um universo de compras, fofocas e futilidades as rodeiam e elas parecem gostar disso. Também fazem questão de serem submissas a seus companheiros, para elas a grande conquista da liberdade é ter um emprego e poder adquirir seus mantimentos de juventude. Não que as mulheres não devam ser vaidosas, mas a vida é feita de equilíbrio. É preciso um pouco mais que aparência a meu ver.
Não é ofensa, é só incompreensão de minha parte. Não entendo o que há de tão interessante em comentar a vida das mulheres alheias, o que há de tão grandioso em uma etiqueta e por que se martirizam tanto por seus amores ou paixões. Não entendo ao certo o que buscam. É preciso sim andar vestido, conhecer pessoas e ter com quem relacionar-se, mas fazer disso o ideal de vida me parece fútil de mais. Pode ser apenas outra forma de ver esta sociedade.
Paro-me pensando o que Joana d’Arc, Anita Garibaldi,  
Florence Nightingale e diversas outras grandes mulheres da história, achariam destas do século XXI. Que pouco conhecem do cenário político, econômico e social do seu país, que pouco leem e quando o fazem preferem Caio de Abreu, livro de auto ajuda ou Best-sellers românticos, a um livro que lhe traga um pouco mais realidade. Que essas leituras são fáceis e gostosas até concordo, mas até quando continuaram no primeiro degrau da vida? Até quando vão achar que desafio, é juntar dinheiro suficiente para comprar um novo sapato ou fazer com que seu namorado não te traia.
Sinto-me um pouco perdida neste universo, toda mulher gosta de se sentir bonita, de fazer algo que alimente seu ego, de ter alguém que a elogie, mas isso tem que soar natural como realmente é. Falta senso de socialização, objetividade e quem sabe até aquela curiosidade de criança e o desejo do pensar.

“Ler fornece ao espírito materiais para o conhecimento, mas só o pensar faz nosso o que lemos(John Locke). 

31 de jan. de 2013

Relato sem terceira pessoa



Alfa-queratina


Primeiro você acha que vai ser um terror. Não pensa em bem, só em olhares e intimidação. Depois você pensa e repensa seu mundo interior, com ele bem definido você pode projetar o que será sentido. Apenas, projeta! Por que realmente sentir vai além de qualquer teste. Não se sabe como se vai reagir até que tudo já não esteja feito.
É necessária uma porção, feita de ingredientes bem íntimos e específicos, muitas vezes difíceis de encontrar até em si mesmo. Mas com os ingredientes a mão ainda lhe faltará uma mão amiga para terminar seu trabalho mal feito ou uma mão que lhe enxugue as lágrimas. No caso precisei de olhos. Olhos maternos para terminar o que de costas não podia ver bem. Parece meio confuso, mas é assim mesmo que é.
Hoje passado alguns meses, e como unhas, o cabelo tenha se restabelecido  já não sinto mais a necessidade dele como sentia antes. A primeira impressão não foi agradável e nem poderia ser, parecia que faltava algo em mim, mas descobri que a falta também pode ser sobra. Alguns dias se passaram até que passar a mão na cabeça e massagear o ego encontrassem um equilíbrio. 
A balança não foi tão bem estabelecida ainda. Mas sinto-me muito mais livre e desapegada. E essa sensação de liberdade de preconceitos, de coisas e de pessoas é um bem irreparável que fiz a mim mesmo. Hoje é como se mais me incomodasse o fato de algo pesar e flutuar sobre meu crânio do que me agradasse. Pode ser pesaroso e sem muito sentido á alguns, mas para quem tem que viver ou tem a opção de ter  escolhas das sensações, o desfrute da liberdade plena é a mais agradável e prazerosa delas. E tudo é adaptável.

28 de jan. de 2013

Oportunismo


Oportunismo do dicionário: "Atitude daqueles que preferem contemporizar, para atingir um fim, aproveitando-se das circunstancias oportunas." Ou ainda “Sistema ou prática política, que consiste em aproveitar-se das circunstâncias ou acomodar-se a elas para tirar proveito.” 
Sei que muito já foi falado e lamentado pelo acidente em Santa Maria, mas a abrangência sobre tal é muito maior, aconteceu em um local em uma noite marcada por suscetíveis erros humanos. Mas há quantos outros locais que correm estes mesmos riscos espalhados pelo país? E que continuaram recebendo jovens nos fins de semanas com o intuito de divertir-se?
O fato aqui vai além de culpar um ou outro pelo incidente, todo ser humano nesse sistema vigente busca fazer aquilo que lhe de mais lucro, e isso não é por que não se tem coração ou que se queira o mal do indivíduo ao lado, é apenas o oportunismo. É assim que inescrupulosamente o sistema nos instiga a ser. Uma maneira de travestir os perigos, enganar a fiscalização, lotar uma casa de eventos, em busca do maior lucro possível.
Refletir sobre a sociedade que estamos criando talvez seja mais saudável a nós; população; e as famílias dos jovens, do que procurar culpados entre os donos da boate, os artistas no palco e os seguranças do local. Aumentar a fiscalização é claro de toda forma sempre necessário neste país onde as maiores partes das leis vigentes nunca vigoram tão bravamente assim, mas fiscalizar quem sabe a competência e formação necessária às pessoas diretamente envolvidas com o público sejam medidas mais proveitosas. Por vezes o material humano é bem mais importante do que a infraestrutura e tecnologias dos locais. Caráter e treinamento necessário às pessoas que lidam com grandes públicos, comprometimento. É o que faltou.
E quanto à mídia? Ela segue no mesmo percurso de oportunismo dilacerado que causou tamanha tragédia.
Precisa-se de humanos nessa selva de tamanha falsa humanidade.