3 de out. de 2013

Os gigantes jovens continuam dormindo.

Dorme. Fecha os olhos perante a pequena revolução que não se faz. Isso deve dar-se por que aqueles que estavam nas ruas no mês de junho não sentem-se motivados pelas causas desses que agora gritam no Rio de Janeiro. Porém vejam que falta de companheirismo, haviam muitos professores nas ruas em junho, haviam muitos alunos, havia muita gente. Gente que nem sempre sabia pelo que estava lutando. Mas uma coisa posso assegurar-lhes, os professores que lá estavam sabiam pelo que estavam lutando. Eles sabem por que nas ruas estão agora. Mas sinto falta de alguém nas ruas, vocês não? Cade os estudantes? Os alunos desses professores que foram em junho as ruas, que encorporaram seu movimento. Os docentes lá estão. Já os discentes, displicentes, nem sombra. Entendo que são alunos da escola básica, muito jovens ainda para ir as ruas. Mas cade seus pais? Ou ainda não os vimos por que agora as manifestações pedem benefícios aos professores da rede pública, que lecionam aos filhos das massas. E a burguesia cala-se.
Na verdade comecei esse texto pensando em como é possível ver a mesma cena após 20 anos. Em 30 de agosto de 1988 no estado do Paraná, na frente do palácio Iguaçu em Curitiba professores foram coibidos e agredidos pela Policia Militar e sua cavalaria. O que os professores pediam? Basicamente o mesmo de agora, reajustes salariais, regulamentação e melhorias nas condições de trabalho. O governador de São Paulo tomou a mesmíssima atitude arbitraria de outro político à 20 anos atrás. É por atitudes como essa, que a educação pública declina. Fui aluna da rede pública durante minha vida escolar e durante o período que morei no Paraná, vi meus professores paralisarem suas atividades no dia 20 de cada ano, em prol daqueles que foram agredidos em 88. Durante anos pensei o por que alguns aderiam a paralisação e outros não, por que ficávamos sem aula, se aquilo mudaria alguma coisa ou era mais um motivo para os professores ficarem em casa e nós também. Descobri, hoje, que tudo vai muito além. Parto do principio de que alunos ruins fazem professores ruins, e o sistema é quem cria esses alunos. Sim! É esse sistema burocrático e antigo que não visa a real educação das crianças e que faz os professores serem marginalizados. É uma bola de neve que cresce a cada criança que responde um professor e a cada professor que da uma desculpa esfarrapada para ficar em casa, por que perdeu o tesão de lecionar! Ensinar o que? Pra quem? Se a grande maioria, parece não interessar-se por nada.
É que marchamos errado. Não ouvimos educadores como Paulo Freire, quando devíamos. Mas nunca é tarde para mudanças e elas começam com manifestações e conscientização. Quando discente, docentes e a sociedade envolvida, sim por que será que aqueles PMs do Rio não tem seus filhos em escolas públicas? Pararem de confrontar-se e unirem forças quem sabe mudaremos o rumo de nossa educação pública. Quando fizermos da escola pública um local onde todos tenham vontade de ir todos os dias, quando ela for vista como aliada do aluno, quando esse aluno for incentivado em seus interesses e elogiados por seus professores, quando esses professores virem que seus alunos querem absorver todo o conhecimento que possuem, por que conheço e sei que a maioria deles precisam apenas de alunos que tenham fome de aprendizado e um salário digno para dar aulas decentes. Alunos seus professores ainda não vos abandonaram. Não abandonem a eles!

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