14 de fev. de 2013

Descontextualizada




Só me falta a capacidade de compreender. Não é maldizer a cidade ou seu povo, é apenas uma observância feita. Não é generalizar é constatar o aumento.
Não me cabe a ideia de algumas mulheres. O desinteresse por novos assuntos, a acomodação do ser, o preocupar-se muito com a beleza externa; como se o que elas aparentassem ser mudasse o que elas realmente são. Não sei se entristece ou revolta-me mais o fato de deixarem de estudar para trabalhar e comprar. Que verdade seja dita, até hoje não conheci tão grande concentração de mulheres que entendessem tanto de maquiagens, unhas, cabelos, sapatos e marcas de roupas como as catarinenses, e que sim, esbanjam uma beleza europeia dificilmente encontrada em outros estados. Mas são bonecas, inanimadas de algo mais. Um universo de compras, fofocas e futilidades as rodeiam e elas parecem gostar disso. Também fazem questão de serem submissas a seus companheiros, para elas a grande conquista da liberdade é ter um emprego e poder adquirir seus mantimentos de juventude. Não que as mulheres não devam ser vaidosas, mas a vida é feita de equilíbrio. É preciso um pouco mais que aparência a meu ver.
Não é ofensa, é só incompreensão de minha parte. Não entendo o que há de tão interessante em comentar a vida das mulheres alheias, o que há de tão grandioso em uma etiqueta e por que se martirizam tanto por seus amores ou paixões. Não entendo ao certo o que buscam. É preciso sim andar vestido, conhecer pessoas e ter com quem relacionar-se, mas fazer disso o ideal de vida me parece fútil de mais. Pode ser apenas outra forma de ver esta sociedade.
Paro-me pensando o que Joana d’Arc, Anita Garibaldi,  
Florence Nightingale e diversas outras grandes mulheres da história, achariam destas do século XXI. Que pouco conhecem do cenário político, econômico e social do seu país, que pouco leem e quando o fazem preferem Caio de Abreu, livro de auto ajuda ou Best-sellers românticos, a um livro que lhe traga um pouco mais realidade. Que essas leituras são fáceis e gostosas até concordo, mas até quando continuaram no primeiro degrau da vida? Até quando vão achar que desafio, é juntar dinheiro suficiente para comprar um novo sapato ou fazer com que seu namorado não te traia.
Sinto-me um pouco perdida neste universo, toda mulher gosta de se sentir bonita, de fazer algo que alimente seu ego, de ter alguém que a elogie, mas isso tem que soar natural como realmente é. Falta senso de socialização, objetividade e quem sabe até aquela curiosidade de criança e o desejo do pensar.

“Ler fornece ao espírito materiais para o conhecimento, mas só o pensar faz nosso o que lemos(John Locke).