Descontextualizada
Só me falta a capacidade de compreender. Não é maldizer a cidade ou seu
povo, é apenas uma observância feita. Não é generalizar é constatar o aumento.
Não me cabe a ideia de algumas mulheres. O desinteresse por novos assuntos, a
acomodação do ser, o preocupar-se muito com a beleza externa; como se o que
elas aparentassem ser mudasse o que elas realmente são. Não sei se entristece
ou revolta-me mais o fato de deixarem de estudar para trabalhar e comprar. Que
verdade seja dita, até hoje não conheci tão grande concentração de mulheres que
entendessem tanto de maquiagens, unhas, cabelos, sapatos e marcas de roupas
como as catarinenses, e que sim, esbanjam uma beleza europeia dificilmente
encontrada em outros estados. Mas são bonecas, inanimadas de algo mais. Um
universo de compras, fofocas e futilidades as rodeiam e elas parecem gostar
disso. Também fazem questão de serem submissas a seus companheiros, para elas a
grande conquista da liberdade é ter um emprego e poder adquirir seus mantimentos
de juventude. Não que as mulheres não devam ser vaidosas, mas a vida é feita de
equilíbrio. É preciso um pouco mais que aparência a meu ver.
Não é ofensa, é só incompreensão de minha parte. Não entendo o que há de tão
interessante em comentar a vida das mulheres alheias, o que há de tão grandioso
em uma etiqueta e por que se martirizam tanto por seus amores ou paixões. Não
entendo ao certo o que buscam. É preciso sim andar vestido, conhecer pessoas e
ter com quem relacionar-se, mas fazer disso o ideal de vida me parece fútil de
mais. Pode ser apenas outra forma de ver esta sociedade.
Paro-me pensando o que Joana d’Arc, Anita Garibaldi, Florence Nightingale
e diversas outras grandes mulheres da história, achariam destas do século XXI.
Que pouco conhecem do cenário político, econômico e social do seu país, que
pouco leem e quando o fazem preferem Caio de Abreu, livro de auto ajuda ou Best-sellers
românticos, a um livro que lhe traga um pouco mais realidade. Que essas
leituras são fáceis e gostosas até concordo, mas até quando continuaram no
primeiro degrau da vida? Até quando vão achar que desafio, é juntar dinheiro
suficiente para comprar um novo sapato ou fazer com que seu namorado não te
traia.
Sinto-me um pouco perdida neste universo, toda mulher gosta de se sentir
bonita, de fazer algo que alimente seu ego, de ter alguém que a elogie, mas isso
tem que soar natural como realmente é. Falta senso de socialização,
objetividade e quem sabe até aquela curiosidade de criança e o desejo do
pensar.
“Ler fornece ao espírito materiais para o conhecimento, mas só o
pensar faz nosso o que lemos” (John Locke).

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