Tenho consciência que muita gente, muitos reportes e críticos estão em frente aos seus computadores escrevendo excelentes matérias sobre as manifestações no meu país. Porém perante a situação que presencio, preciso expor minha sincera admiração pela minha geração. Nunca fui descrente nas pessoas, porém via nos tempos de escola jovens apáticos, contentados com a onda de tecnologia do século XX, deslumbrados com o consumismo. Mas vi que estive enganada com uma grande parcela de jovens da minha idade. E essas manifestações fazem nascer á esperança de outros que já se haviam perdido, esperança de um futuro melhor, um país melhor e igual.Parece-me que esse país foi atingido pela onda da Primavera Árabe, que usando as redes sociais e os artifícios dados a nós jovens conseguimos de fato agir. Mas esse agir precisa ser fundamentado em uma ideologia, e não importa qual, mas que todos os jovens tenham uma para seguir, como já dizia Cazuza. Por que é através de ideais e consciência política que geramos a mudança. É pelo dialogo e discussão dessas tantas ideologias que se constrói um país novo e melhor.
Existem inúmeros conceitos que explicam uma ou outra forma de governo, que estão diretamente ligados à economia. Tracemos um paralelo entre alguns. A nossa forma de governo democrático, do dicionário: situação político - administrativa em que o povo governa através de seus representantes periodicamente eleitos. (Do grego demokratía, «governo popular», pelo latim democratĭa-, «idem»). Seria então o governo gerido pelos interesses do povo, a favor do povo e manifestações não seriam necessárias, pois o povo em questão viveria bem. Porém é preciso lembrar que nossa democracia tem muito mais a cara de uma aristocracia que favorece o sistema capitalista, que gera desigualdade social. Vivemos então sentados em cima de uma Constituição feita em 1.988, logo após o fim da Ditadura Militar. Feita por homens de uma mesma época, onde a liberdade por mais mínima que fosse era vista como valiosa conquista. Não que este conceito esteja errado, o fato é que nos acomodamos com a mínima liberdade. É preciso lembrar ainda que por mais duro, rígido e brutal que foi o período da Ditadura Militar no Brasil, ele trouxe desenvolvimento e estabilidade para o país, o que não o faz ser uma boa forma de governo, já que estabilidade o Socialismo também trás e desenvolvimento econômico o Capitalismo é precursor. Millôr Fernandes diz que: “Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim”. Vivemos então uma ditadura travestida de democracia? Parece que sim.
Infelizmente as manifestações no país todo, tem nos mostrado o que no fundo já sabíamos. Que temos uma polícia despreparada, que prende reportes por portarem vinagre, que nossa mídia mesmo não sendo estatal serve apenas aos interesses do governo e que quem nós elegemos não são representantes do povo. São aristocratas, latifundiários que governam sempre a favor próprio. Seriamo-nos então os culpados? De certa forma sim. Falta-nos consciência política para escolher os poucos e míseros homens íntegros para nos representar. Pois falta quem nos ensine isso, já que não há instrução nenhuma nas escolas, para as crianças, do que é política. Os Faraós egípcios, de antes de cristo, já sabiam que conhecimento é poder. E como formar jovens capazes de pensar e agir? Muito arriscado para os interesses dos nossos excelentíssimos senhores políticos. Mas esquecem-se eles que o ser humano é capaz de pensar por si e chegar a conclusões decisivas, se lhe derem fatos, motivos, e motivos é o que não nos falta para pensar.
Assim, foi que culminamos nessas manifestações pelo país, motivados por uma Copa do Mundo e investimentos em estádios, quando nossa educação é decadente. Impulsionados pelo exemplo das diversas manifestações, pelo mundo, em busca de verdadeira democracia. E guiados pelo sentimento de indignação perante um governo populista, de esquerda, que perdeu seus valores ideológicos. Não é culpa desde ou daquele partido, nenhum ou quase nenhum deles tem uma ideologia séria a seguir, perdoem-me o linguajar, mais os partidos do nosso país são como bordéis e nossos políticos são prostitutas, todos motivados por interesses econômicos e nenhum ideológico. E por isso os jovens estão fora da política, por que só agora e muito aos poucos é que encontram uma ideologia a seguir, e descobriram que não precisam fazer parte de partido nenhum para isso, basta usar sua voz.
“Quem, de três milênios, não é capaz de se dar conta, vive na ignorância, na sombra, à mercê dos dias, do tempo.”(Johann Goethe)

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